domingo, 21 de abril de 2019

terça-feira, 2 de abril de 2019

João Palhares - Lavadeira Saloia











PALHARES, João, ca 1810? - ca 1890?
Lavadeira saloia / Palhares lith.. - [S.l. : s.n., ca 1850] ([Lisboa : : Litografia da Rua Nova dos Mártires])

DAQUI

Mário Henrique-Leiria - A Invenção da Água






Texto de Mário Henrique-Leiria, dito por Mário Viegas no programa "Palavras Vivas"



Fernando Pessoa - A lavadeira no tanque



A lavadeira no tanque
Bate roupa em pedra bem.
Canta porque canta e é triste
Porque canta porque existe;
Por isso é alegre também.
Ora se eu alguma vez
Pudesse fazer nos versos
O que a essa roupa ela fez,
Eu perderia talvez
Os meus destinos diversos.
Há uma grande unidade
Em, sem pensar nem razão,
E até cantando a metade,
Bater roupa em realidade...
Quem me lava o coração?
15-9-1933


Novas Poesias Inéditas. Fernando Pessoa. (Direcção, recolha e notas de Maria do Rosário Marques Sabino e Adelaide Maria Monteiro Sereno.) Lisboa: Ática, 1973 (4ª ed. 1993).
  - 83.

segunda-feira, 1 de abril de 2019

LUÍS DE CAMÕES - Correm turvas as águas deste rio...




Correm turvas as águas deste rio
Que as do Céu e as do monte as enturbaram;
Os campos florescidos se secaram;
Intratável se fez o vale, e frio.

Passou o V' rão, passou o ardente Estio;
Üas cousas por outras se trocaram;
Os fementidos Fados já deixaram
Do mundo o regimento ou desvario.

Tem o tempo sua ordem já sabida;
O mundo não; mas anda tão confuso,
Que parece que dele Deus se esquece.

Casos, opiniões, natura e uso
Fazem que nos pareça desta vida
Que não há nela mais que o que parece.

sexta-feira, 15 de março de 2019

segunda-feira, 11 de março de 2019

sexta-feira, 1 de março de 2019

Lavadeiras

Nossa Senhora do Cabo Espichel



Loures, 8 de Outubro de 2016

Vareira

Chafariz da Buraca





Eduardo Portugal, Chafariz da Buraca,  1939
fotografia do Arquivo Municipal de Lisboa | fotográfico


Descrição
Chafariz de cantaria de calcário lioz, de planta rectangular simples, composto por embasamento, onde assenta o espaldar simples, rectilíneo, encurvado e mais largo na base, flanqueado por pilastras toscanas, que sustentam friso e cornija contracurvada, de inspiração borromínica. Possui moldura recortada e curva na base, encimada por cartela convexa, com recorte inferior e superior, onde se adapta ao perfil da moldura relevada com acanto que envolve brasão, com as armas de D. José, encimada por coroa e ladeado por paquife e elementos concheados e volutados. Ao centro do embasamento, surge uma bica simples de cantaria, que verte para pequeno tanque rectangular, pouco profundo e com orifício de escoamento, tendo em frente um outro tanque maior, igualmente de planta rectangular, de profundidade mínima e bordo boleado, formando espelho de água. O acesso aos tanques é feito através de degrau de cantaria existente do lado esquerdo, entre o espaldar e o tanque maior. A caixa de água desenvolve-se posteriormente, adossada a muro de cantaria.

Acessos
Rua da Buraca; Estrada da Buraca

Enquadramento
Urbano, adossado ao troço do Aqueduto das Águas Livres, compreendido entre as freguesias de São Brás e da Buraca (v. PT031105030003), possuindo entre eles grade metálica, e cujo aqueduto se encontra adossado ao muro da Quinta do Bom Pastor, da Buraca (v. PT031106080359). Implanta-se no antigo lugar de Calhariz, numa zona de terreno com declive pronunciado relativamente à Rua da Buraca, formando uma pequena plataforma rebaixada, circundada por duas vias de intenso tráfego automóvel, pavimentada a blocos de cantaria; esta é delimitada, lateralmente, pelo passeio, pavimentado a calçada à portuguesa, que acompanha o traçado da estrada, e pelo aqueduto, aqui rasgado por dois arcos, um de volta perfeita e outro abatido, que acedem à Estrada da Buraca, em direcção ao Calhariz, em Benfica. Posteriormente, é delimitado por muro, de dois registos, o inferior em alvenaria e, o superior em cantaria, de aparelho regular, prolongando-se o primeiro para o lado esquerdo, o qual é antecedido por pequeno jardim valorizando a imponente casa de águas que se adossa ao aqueduto. Junto ao tanque maior encontra-se um mourão fragmentado que provavelmente delimitava a plataforma.

Cronologia
1771, 23 Dezembro - na sequência da aprovação do Marquês de Pombal, a Junta das Águas Livres autoriza a execução do chafariz segundo o projecto do Arquitecto Reinaldo Manuel dos Santos, então 2º arquitecto da Junta; 1772, Outubro - aprovação do risco; conclusão da obra; 1834 - despacho da Direcção das Águas Livres concedendo os sobejos da água do chafariz à Quinta da Buraca ou do Bom Pastor.

ARQUITECTO: Reinaldo Manuel dos Santos (1771).

Autor e Data
Teresa Vale e Carlos Gomes 1996 / Marta Ferreira 2007

IN: SIPA - http://www.monumentos.gov.pt/site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=5088



Eduardo Portugal, Chafariz da Buraca e  troço do Aqueduto das Águas Livres 1939
fotografia do Arquivo Municipal de Lisboa | fotográfico


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

MEMORIA SOBRE CHAFARIZES, BICAS, FONTES E POÇOS PÚBLICOS DE LISBOA, BELEM...






VELOSO D'ANDRADE (José Sérgio).— MEMORIA SOBRE CHAFARIZES, BICAS, FONTES E POÇOS PÚBLICOS DE LISBOA, BELEM, E MUITOS LOGARES DO TERMO. Offerecida á Ex.mª Camara Municipal de Lisboa. Lisboa. Na Imprensa Silviana. 1851. 17x25 cm. VIII-398 págs.
Livro disponível aqui:

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

sábado, 12 de janeiro de 2019

Concha de S. Martinho








A concha de São Martinho é o que resta de um antigo golfo que ocupava uma vasta área, onde Alfeizerão constituía um porto de considerável importância. Com o progressivo assoreamento da baía, Salir viria a desempenhar as funções que Alfeizerão já não podia cumprir.

A povoação teve origem, provavelmente, numa póvoa de pescadores. A Granja de São Martinho foi fundada neste sítio pela Ordem de Cister que veio a fixar a população e dar o nome à terra. Mais tarde foi acrescentado a designação “do Porto”.

São Martinho do Porto foi um dos portos de mar dos Coutos de Alcobaça, tendo sido doado à Ordem de Cister em 1153, por D. Afonso Henriques. Em 1834 dá-se a extinção das ordens religiosas em Portugal. Foi no reinado de El-Rei D. Afonso III, em Junho de 1257, que Frei Estevão Martins, 12º abade do convento de Alcobaça, concedeu o primeiro foral a São Martinho do Porto.

As terras que estavam votadas ao abandono, durante a reconquista, são aproveitadas e transformadas, pela Ordem de Cister, numa região agrícola rica. As charnecas, as serras e os pântanos são transformados em campos férteis de cultivo. 
( ver continuação do artigo AQUI )

  

S. Martinho do Porto - postais














quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

O nome da deusa Navia




El nombre de la diosa lusitana Nabia y el problema del betacismo* en las lenguas indígenas del Occidente Peninsular.

Blanca Prósper



* Mudança linguística que consiste na substituição do som [v] pelo som [b] ou vice-versa
[Fonética]  Mudança linguística que consiste na substituição do som [v] pelo som [b] ou vice-versa (ex.: betacismo na pronúncia de vinho como *binho e de bom como *vom).

"betacismo", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/betacismo [consultado em 09-01-2019].
[Fonética]  Mudança linguística que consiste na substituição do som [v] pelo som [b] ou vice-versa (ex.: betacismo na pronúncia de vinho como *binho e de bom como *vom).

"betacismo", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/betacismo [consultado em 09-01-2019].
Mudança linguística que consiste na substituição do som [v] pelo som [b] ou vice-versa (ex.: betacismo na pronúncia de vinho

"betacismo", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/betacismo [consultado em 09-01-2019].
Mudança linguística que consiste na substituição do som [v] pelo som [b] ou vice-versa (ex.: betacismo na pronúncia de vinho

"betacismo", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/betacismo [consultado em 09-01-2019].

Todo o artigo AQUI

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019




[encontra-se no Museu de Lisboa]



Para purgar o corpo dos excessos do ano novo, nada como as boas águas de Sintra e do Arsenal. Podem ser encontradas no Museu de Lisboa - Palácio Pimenta, de Terça a Domingo, das 10 às 18 horas, no Nº 245 do Campo Grande. Visite-nos. [ diz-no o José Daniel Soares Ferreira do Conversa, muita conversa ]

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Moliceiros de Aveiro





Adicionar legendhttp://ww3.aeje.pt/avcultur/avcultur/Postais/BarcosPost01.htma


http://ww3.aeje.pt/avcultur/avcultur/Postais/BarcosPost01.htm



http://ww3.aeje.pt/avcultur/avcultur/Postais/BarcosPost01.htm



http://ww3.aeje.pt/avcultur/avcultur/Postais/BarcosPost01.htm


http://ww3.aeje.pt/avcultur/avcultur/Postais3/Aveiro/261_Aveiro.jpg


Retirados Daqui

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018






Fotografia de Pedro Gomes Monteiro




Fotografia de Pedro Gomes Monteiro



Fontanário junto à Igreja de Nossa Senhor do Cardal mesmo no centro de Pombal.
https://goo.gl/maps/xZXyYmK51Vv




Obrigada, Pedro

segunda-feira, 19 de novembro de 2018







o mar, o mar... para a Lenita, o mar! : )
praia da Rocha ao fundo, vista do Vau.
parámos aqui tantas vezes... e, noutras tantas, fizemos, à beira-mar, o caminho que as ligava...
— cristina, vem! olha que a maré já sobe!
-
— vou já, vou já...
do tempo em que - até prò ano! - era uma eternidade



do Vau à Rocha
fotografia de/para Helena Nilo









para a Lenita, que faria anos hoje

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Raquel Roque Gameiro




Raquel Roque Gameiro,
página d' 'O Livro da Primeira Classe — Ensino Básico Elementar',
Ministério da Educação Nacional, 3.ª ed., Lisboa, Livraria Popular Francisco Franco, 1947.
DAQUI



sexta-feira, 21 de setembro de 2018

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

ANTÓNIO MARIA LISBOA - ISSO ONTEM ÚNICO




(…)
RAOMOMAR

amor confuso, amor repetido, amor esotérico, amor mágico
– MAR

mar perdido de conchas no meio do mar
mar de marés justapostas de amor num mar de marfim
perdido no teu joelho de marfim.
mar de bosques que anuncia ao estrangeiro terra perfumada
oceano no teu oceano de olhar
Isís a mulher de Osíris – a realidade misturada.
no MAR.

mar que te apontei do alto da torre coberta pelo nevoeiro
pelo avião que atravessa o espaço
pelo incêndio que percorre o mundo num autocarro
pelo soerguer do teu corpo semi-quente na madrugada

mar azul-vermelho queimado de arestas
mar de dedos frios, de velas sibilinas na noite de cristal
mar de sonâmbulos esquecidos a medir o espaço com fitas de estrelas
mar de passageiros estranhos e abismados
mar de casas altíssimas onde habitam as cidades

MAR para que não me chegam os olhos
mar branco de nuvens sobrepostas para lhe podermos passar por cima
mar de esquecimento, de objectos sensíveis e distintos
mar onde guardei o aquário azul que trouxe até hoje na memória

e só hoje te espalho para o mundo MAR
onde é possível e provável o envenenamento total da espécie onde
descanso a minha mão esquerda sobre uma pantera negra e todos os
dias mergulho em fogo

Amor sem nexo, amor contínuo, amor disperso – MAR

mar com uma bala direita no cérebro
mar sem apoio em nenhum ponto do espaço, mas preso apesar de tudo
numa enorme teia diabolicamente construída para conseguir ser
livre
mar de submarinos insondáveis que navegam o infinito do mar
mar espacial de sons, de cores, de imagens, de mil anos passados que
percorremos

MAR que flutua no MAR abusivamente medonho

amor esquecido, amor distante, amor insolente

RAOMOMAR

(…)

António Maria Lisboa, Poesia, Biblioteca editores Independentes, Lisboa, pp 90-91

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

António Botto - Poema do Mar




Eu ontem passei o dia
Ouvindo o que o mar dizia.

Chorámos, rimos, cantámos.

Falou-me do seu destino,
Do seu fado...

Depois, para se alegrar,
Ergueu-se, e bailando, e rindo,
Pôs-se a cantar
Um canto molhado e lindo.

O seu hálito perfuma –
E o seu perfume faz mal!

Deserto de águas sem fim...

Ó sepultura da minha raça,
Quando me guardas a mim?...

Ele afastou-se calado;
Eu afastei-me mais triste,
Mais doente, mais cansado...

Ao longe, o Sol, na agonia,
De roxo as águas tingia.

- Voz do mar misteriosa;
Voz do amor e da verdade!
Ó voz moribunda e doce
Da minha grande saudade!
Voz amarga de quem fica,
Trémula voz de quem parte...

................................................
E os poetas a cantar
São ecos da voz do mar!



https://arquivos.rtp.pt/conteudos/joao-villaret-16/
Aos 16m53, João Villaret declama o poema de António Botto





terça-feira, 11 de setembro de 2018

ROSA MARIA MARTELO - A PONTE AFUNDA-SE NO RIO




Dito de outro modo, sem justificação ou explicação alguma, há, eu sei, um avanço da imagem na linguagem. Entre uma e outra, nesse avanço, um salto, um vazio (mas não um salto no vazio). Há um pensar por imagens ao qual as palavras chegam com atraso, quase como se delas ficasse só a música lançada para diante. É ainda a linguagem, mas já não são palavras, são imagens, livres, que as palavras falham ao circundar Há um azul que excede a palavra azul, há esse azul, e quando a sua mancha alastra, atrasa-se qualquer palavra acerca disso. Se A. L. diz «pára-me de repente o pensamento», posso imaginá-lo precisamente aí. O que então escreve e não escreve envolve uma pausa fulminante. Mas nunca poderei dizer isto, a ponte afunda-se no rio.


Rosa Maria Martelo, Siringe, Averno, 2017, p.66

domingo, 2 de setembro de 2018





Fotografia  de Inês Dias
António Barahona, AOS PÉS DO MESTRE (Sexto Tomo da Suma Poética), Lisboa, Averno, 2018

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Al Mutamid Ibn Abbad - Evocação de Silves








Saúda, por mim, Abu Bakr,
Os queridos lugares de Silves
E diz-me se deles a saudade
É tão grande quanto a minha.
Saúda o palácio dos Balcões
Da parte de quem nunca os esqueceu.
Morada de leões e de gazelas
Salas e sombras onde eu
Doce refúgio encontrava
Entre ancas opulentas
E tão estreitas cinturas!
Mulheres níveas e morenas
Atravessavam-me a alma
Como brancas espadas
E lanças escuras.
Ai quantas noites fiquei,
Lá no remanso do rio,
Nos jogos do amor
Com a da pulseira curva
Igual aos meandros da água
Enquanto o tempo passava...
E me servia de vinho:
O vinho do seu olhar
Às vezes o do seu copo
E outras vezes o da boca.
Tangia cordas de alaúde
E eis que eu estremecia
Como se estivesse ouvindo
Tendões de colos cortados.
Mas retirava o seu manto
Grácil detalhe mostrando:
Era ramo de salgueiro
Que abria o seu botão
Para ostentar a flor.

sábado, 18 de agosto de 2018

Miguel Torga - Sagres








Sagres

Vinha de longe o mar...
Vinha de longe, dos confins do medo...
Mas vinha azul e brando, a murmurar
Aos ouvidos da terra um cósmico segredo.

E a terra ouvia, de perfil agudo,
A confidencial revelação
Que iluminava tudo
Que fora bruma na imaginação.

Era o resto do mundo que faltava
(Porque faltava mundo!).
E o agudo perfil mais se aguçava,
E o mar jurava cada vez mais fundo.

Sagres sagrou então a descoberta
Por descobrir:
As duas margens de certeza incerta
Teriam de se unir!