quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018




Joaquim Manuel Magalhães


In:
Joaquim Manuel Magalhães, «Light at Two Lights», in João Miguel Fernandes Jorge, Jorge Molder, Joaquim Manuel Magalhães,'Uma Exposição', Lisboa, A Regra do Jogo, 1980.


[Retirado Daqui]


Fotografia de C. Trincão
Boletim Fotográfico, Abril de 1900

J. A. Soares - Castelo de D'Almourol





Fotografia de J. A. Soares
"Boletim Fotográfico", Agosto de 1900

Fografias do Boletim Fotográfico






Fotografia de Silva Nogueira
Boletim Fotográfico
, Janeiro de 1900

Fotografia de Augusto Soares
Boletim Fotográfico
, Outubro e Novembro de 1900


Fotografia de F. Viegas 
Boletim Fotográfico
, Setembro de 1900







Fotografia de S. Fortes
Boletim Fotográfico
, Outubro e Novembro de 1900





Fotografia de C. Trincão
Boletim Fotográfico
, Abril de 1900




Fotografia do Visconde de Coruche
Boletim Fotográfico
, Fevereiro de 1900

domingo, 4 de fevereiro de 2018




Helena Corrêa de Barros, Tirando água do poço, [entre 1950 e 1960]
Fotografai do Arquivo Municipal de Lisboa | Fotográfico

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Miguel Martins - Aldeia




Adoro as levadas caudalosas,
serpenteando por entre avencas,
levando consigo pequenos blocos de terra,
ensopando a terra,
matando a sede a raízes
que mais parecem teias de aranha
cujo centro se esconde a vários palmos de distância
ou longilíneas tarântulas

Adoro os Verões iniciáticos,
a aprendizagem de caminhos e trabalhos sob as copas densas,
os banhos na represa por entre libélulas e alfaiates
e o esgar de nojo,
quando, da ponte,
se avista lá ao fundo um gato morto
preso nas silvas das margens de água límpida

Adoro os Invernos laboriosos,
as encostas escorregadias,
a lama nas botas,
a misteriosa caminhada até cada courela,
o gesto medieval que ceifa o talo à couve,
o toucinho na salgadeira

Adoro o regresso do ruído,
a chegada das crianças da cidade,
adoro vê-las subir às amoreiras,
as mãos miúdas confiando em nós de madeira centenária, enquanto os pais me visitam na adega,
cortamos uma broa e abrimos uma garrafa de morangueiro fresco

Adoro as casulas e os paramentos na sacristia
e o pó que os cobre nos meses de ausência do padre
e o branco nu da capela
e a pedra nua de todas as outras casas,
que é da cor das folhas de tabaco secas da plantação que o Eduardo tem ao fundo do povo e esconde dos fiscais
(ele que já viu mais mundo que todos os fiscais da região e trabalhou na PanAm e foi aos Estados Unidos)

Adoro as trutas apanhadas à mão e o viveiro de trutas, nossa única indústria desde que ruiu o moinho de água
e só Deus sabe quanto isso me custou e custa,
saber que não mais sentirei o cheiro do milho acabado de moer

Adoro as idas à mercearia da aldeia vizinha
e a pouquíssima variedade de produtos que aí se encontra,
como se estivéssemos em tempo de guerra
ou o século XX não ousasse começar por aqui

Adoro os fogões a lenha,
as enormes arcas de nogueira,
os colchões de palha de milho
confortavelmente concavados por décadas de hóspedes e a remota possibilidade de serem do tempo
em que João Brandão, “o terror das Beiras”, se acoitou nestas casas

Adoro os audazes mergulhos da ponte metálica coberta de caganitas de cabra
e as cabras
e a mão desusada que as conduz
e que sabe amar quando é chegada a noite
ou quando é chamada a iluminar um recanto de sombra

Adoro as lamparinas e os morcegos que vêm chupar o azeite das torcidas,
o cheiro das queimadas e o cheiro do tojo
acabado de roçar,
e as pequenas manchas roxas
que as amoras esmagadas imprimem no chão

Adoro as ameaças e as benesses do céu
e a certeza de que nelas se escondem todas as respostas da irrevogável vontade de Deus
e adoro como uns são pais dos filhos dos outros
e deixam Deus fora da questão
e não pegam em espingardas

Sim, adoro esta aldeia sem caçadores
em que os pardais só temem os espantalhos
e os gritos que ecoam desde o outro lado das montanhas

Adoro o tio Alfredo, que espantava as almas penadas, batendo com uma corda nas costas,
e o primo Alfredo
que trabalha tanto como quem trabalha mais
e mimetiza o mesmo gesto
para afugentar as dores que isso lhe dá por todo o corpo

Adoro a iniciação sexual dos rapazes,
quase sempre com outros rapazes,
anos antes de terem uma rapariga,
o que só acontece aos doze anos e depois não quer dizer nada,
que é como quem diz, fica vida fora

Adoro o orvalho desenhando folhas de plantas nos vidros das janelas
e janelas nas folhas das plantas
e a nitidez de todos os veios destas
e de todas as veias na pele das mulheres,
que nunca tomaram banhos de sol
e sempre cobrem as cabeças com lenços
ou chapéus de palha

E adoro-vos a vós
que nunca vistes nem vereis a minha aldeia
e acabais de a adoptar pelo útero

(Atol, Clube dos Poetas Vivos, Lisboa, 2002)


Leitura de Raquel Marinho (clicar para ouvir)


Helena Nilo, Lagos, Setembro, 2014

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

domingo, 28 de janeiro de 2018



«Desembarque dos passageiros das canoas cacilheiras no Cais do Sodré», colecção Legado Seixas, do Arquivo Municipal de Lisboa | fotográfico



Luis Manuel Gaspar, desenho para Al Berto, «Cartas de Outono» Ler, n.º 31, 1995.
[Bugio]

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Chafariz das Moiras (Mouras)



Chafariz das Moiras
Portugal, Lisboa, Lisboa, Santa Maria Maior



Chafariz das Moiras, Largo do Correio- Mor
fotografia de Daniel Soares Ferreira


Inaugurado em 1816, no vale das Moiras no Lumiar, projecto do arquitecto José Therésio Michelotti, com água de uma mina ali existente. No entanto, a mina revelou-se insuficiente para satisfazer a população e a Câmara Municipal ordenou que se enchesse os depósitos com água proveniente dos Chafarizes da Convalescença e da Cruz do Tabuado. Até 1940 as três bicas do chafariz abasteceram a população (a central recebendo água da mina e as laterais água da distribuição da cidade).
Em meados do século XX procedeu-se a sua demolição, tendo o seu pano de fachada sido aproveitado e colocado no Largo em frente ao Palácio do Correio-mor (na rua de São Mamede ) o qual sofreu um arranjo urbanístico.
Informação retirada Daqui 
 

[...]

Ficha descritiva:
Arquitectura infraestrutural, tardo-barroca. Chafariz de espaldar simples composto por paraestática, com pilastras rústicas e toscanas, rematadas em friso e cornija. O espaldar possui apainelado com inscrição e pedra de armas e três bicas circulares, que vertem para tanque contracurvado e galbado, com bordo boleado. Possui réguas metálicas para apoio de vasilhame. Chafariz com a fachada principal reaproveitada de um antigo chafariz do tipo caixa, que se erguia no Lumiar, demolido por questões urbanísticas. Está enquadrado por muro de suporte de terras, formando uma elipse, que cria um amplo largo. De destacar a estrutura do tanque, contracurvado e galbado, o elemento mais elegante e erudito do conjunto.
Informação retirada Daqui



Eduardo Portugal, Chafariz das Mouras  na Alameda das Linhas de Torres
Fotografia do Arquivo Municipal de Lisboa | fotográfico

O Chafariz das Mouras foi projectado pelo arquitecto José Therésio Michelotti e construído entre 1813-1815. A sua inauguração decorreu no dia 27 de Julho de 1816.  Tem a forma de pavilhão de parque. É quadrangular de cobertura tronco-piramidal de arestas curvilíneas, rematada por uma urna. A tabela do frontão desce até envolver a bica central. Tem três bicas. Ostenta o brasão real. Tem uma legenda ao centro dizendo «Utilidade do Público anno de 1815». Este chafariz situava-se na Alameda das Linhas de Torres, mas no século XX, foi demolido e a fachada e a bacia foram transferidos para o Largo do Correio-Mor.  
Informação retirada Daqui



Eduardo Portugal, Chafariz das Mouras  na Alameda das Linhas de Torres
Fotografia do Arquivo Municipal de Lisboa | fotográfico


Chafariz das Mouras na Alameda das Linhas de Torres
Fotografai do Arquivo Municipal de Lisboa | fotográfico




sábado, 21 de outubro de 2017





Praia da Rocha, [191-]  (pormenor)
Arquivo Municipal de Lisboa | fotográfico





raia da Rocha, [191-]
Arquivo Municipal de Lisboa | fotográfico




Sentada junto ao rochedo
onde mandaram erigir a capela,
com a dor aos pés e o amor distante,


que mais, senão a morte,
podes pretender da vida?


As ondas do mar
de Agosto
nada respondiam



Manuel de Freitas, Boa Morte, edição do autor, 2008




Capa de Luis Manuel Gaspar

sexta-feira, 20 de outubro de 2017




Águas que, penduradas desta altura,
Caís sobre os penedos descuidadas,
Aonde, em branca escuma levantadas,
Ofendidas mostrais mais fermosura,

Se achais essa dureza tão segura,
Para que porfiais, águas cansadas?
Hei tantos anos já desenganadas,
E esta rocha mais áspera e mais dura.

Voltai atrás por entre os arvoredos,
Aonde caminhais com liberdade
Até chegar ao fim tão desejado.

Mas ai! que são de amor estes segredos.
Que vos não valerá própria vontade
Como a mim não valeu no meu cuidado.


Francisco Rodrigues Lobo, Daqui:




Adriano de Sousa Lopes, Entendei que segundo amor tiverdes/ Tereis o entendimento, 1910



Adriano de Sousa Lopes, [Pinheiro à beira-água]




Alberto de Souza, 'Estação Sul e Sueste, Lisboa', 1910
© Museu Nacional De Arte Contemporânea Do Chiado

Daqui:




Alberto de Sou, [Barcos - Ericeira,1921]

Daqui:



[...]

Nada poderá trazer um navio de volta
a este porto prometido às trevas
e ao visco.
No jardim que deixámos para trás
(e lembra hoje uma única teia de tamiça e estopa)
cresceram as luzes da visitação

Não seguimos o rio, não iremos juntos.
Só damos de nós o que jamais
poderão ver

[...]



Luis Manuel Gaspar, Luminária, Alambique, 2015  (2ªedição revista)

.

domingo, 17 de setembro de 2017





Eduardo Paulo, Lavadeiras de Mafamude
Ilustração Portugueza, 15 de Junho de 1914





Daqui:

sexta-feira, 15 de setembro de 2017



Fermoso rio Lis, que entre arvoredos
Ides detendo as águas vagarosas,
Até que üas sobre outras, de invejosas,
Ficam cobrindo o vão destes penedos;

Verdes lapas, que ao pé de altos rochedos
Sois morada das Ninfas mais fermosas,
Fontes, árvores, ervas, lírios, rosas,
Em quem esconde Amor tantos segredos;

Se vós, livres de humano sentimento,
Em quem não cabe escolha nem vontade,
Também às leis de Amor guardais respeito.

Como se há-de livrar meu pensamento
De render alma, vida e liberdade,
Se conhece a razão de estar sujeito?



Francisco Rodrigues Lobo, Daqui:

terça-feira, 12 de setembro de 2017







Luis Manuel Gaspar, «O sonho da água dorme no pimenteiro» (Herberto Helder)
n.º 2, tinta-da-china e acrílico sobre papel, 210 x 148 mm, 2017

Do: herbário de bolso, de Luis Manuel Gaspar
Facebook


Sobre a relação dos desenhos com a poesia em Luís Manuel Gaspar, diz-nos Rosa Maria Martelo: «Muitos dos desenhos de Luis Manuel Gaspar subentendem as palavras da poesia. Não apenas porque a surpresa que provocam pode resultar de articulações metafóricas, de um tropo que liga dois reinos para produzir um terceiro, mas também porque, em muitos casos, os desenhos se destinaram a acompanhar poemas, ou partiram de textos; e ainda porque, nas pranchas dedicadas a vários poetas, encontramos as imagens que Luis Manuel Gaspar quis que víssemos nos versos reproduzidos, ou a par deles. É um mundo onde as imagens da poesia e as imagens visuais se interpelam mutuamente. Livremente. Um mundo para ver, ler e imaginar. Fluido, delicado, irónico e inquieto. E cheio de gravidade.»

Daqui:





António  Carneiro, Dia de Chuva em Ponte Lima, 1913




Daqui

sábado, 9 de setembro de 2017

Afonso Lopes Vieira - "Photographia Moderna"



Afonso Lopes Vieira, "Sombra na água",
Illustração Portugueza
, II série, Nº 199, 13 de Dezembro de 1909, pp. 756-760



Afonso Lopes Vieira, "Júlia e Zé Maria",
Illustração Portugueza
, II série, Nº 199, 13 de Dezembro de 1909, pp. 756-760



Afonso Lopes Vieira [1910]


Artigo de 1909:  "Photographia Moderna" Aqui e Aqui

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

A Donzela Encantada na Ribeira



No final do século dezoito, no lugar de Valverde, vivia um pobre moleiro com a mulher e uma filha ainda moça e muito bonita.
 Numa noite de luar, a rapariga desapareceu de casa sem deixar rasto e nunca mais foi vista. Houve quem dissesse que ela se tinha deitado ao mar, mas muita gente acreditava que as bruxas a tinham encantado
 O tempo foi passando e a tragédia do desaparecimento da filha do moleiro era contada aos serões a mistura com histórias de almas penadas e feiticeiras.
 Num lindo dia de Primavera, passados cerca de cem anos, as lavadeiras foram com a roupa suja para a ribeira, como de costume. Uma delas, mais velha, não teve tempo para lavar tudo, embora tivesse esfregado e espanejado de sol a sol. Continuou o trabalho quando a noite caiu, porque a lua estava clara como se fosse de dia.
 Para passar o tempo e disfarçar o medo de estar sozinha, ia cantando. Subitamente o som da sua voz e o ruído dos grilos foram cortados por gritos profundos que apenas duraram um segundo. Quando tudo tinha voltado ao silêncio e a lavadeira ainda estava muda de medo, de novo se ouviram fortes gemidos.
 — Santo nome de Deus! Senhora dos Anjos, amparai-me — gaguejou a velha lavadeira e, levantando um pouco a voz, conseguiu dizer a tremer:
 — Alma penada ou gente deste mundo que tanto pareceis estar sofrendo, dizei-me onde estais para que vos possa ajudar se isso estiver ao meu alcance.
 Ninguém lhe respondeu, mas ela avançou pela margem da ribeira e, quando ainda não tinha dado vinte passos, parou espantada. A ribeira estava linda e pousada sobre ela via se uma rapariga bonita e completamente nua. Parecia envolvida num manto de luz e os cabelos brilhavam como oiro sobre os ombros brancos e macios. A mão esquerda estava fechada, mas na outra tinha um fuso que girava, enrolando um fio de prata. Dos olhos azuis corriam lágrimas.
 A lavadeira ficou completamente assombrada e só quando por um ruído leve a visão desapareceu é que a mulher teve coragem de dizer:
 — Donzela infeliz, talvez encantada por mau olhado, atende as minhas palavras Se és aquela de quem muitas vezes ouvi falar em pequena, aos meus avós, tudo farei para te ajudar.
 A visão apareceu de novo e os lábios vermelhos, mas com um sorriso amargo, disseram meigamente:
 — Sou aquela menina infeliz que vossos avós conheceram, mas não posso dizer-vos como foi o meu encantamento. Estou há mais de um século neste martírio, aparecendo de sete em sete anos, neste dia e na hora em que fui encantada, à espera de um rapaz virgem que me possa esconjurar e a quem pertencerei.
 Depois de dizer estas palavras, abriu a mão esquerda, mostrou três moedas de oiro e desapareceu.
 A lavadeira voltou para casa já tarde da noite, o céu estava coberto de nuvens e no dia seguinte o estranho acontecimento espalhou-se.
 Passados sete anos, vários rapazes de Valverde foram-se sentar nas margens da ribeira com a esperança de ver a moça, mas ninguém a viu e sem se saber porquê a donzela lá continua encantada.
FURTADO-BRUM, Ângela Açores: Lendas e outras histórias ,  Ponta Delgada, Ribeiro & Caravana editores, 1999, p.48-49
Recolhida em Vila do Porto, Ilha de Santa Maria, (Açores)  [data dos finais do século XVIII]

Daqui



Luiz Osmundo Toulson, "A Lavadeira de Vizela",
Illustração Portugueza, 2 de Março de 1914




Semana Portuguesa, Nº 1, 9 de Janeiro de 1933, p. 5

Portimão - Desembarque do peixe





Artur Pastor, Desembarque do peixe, Portimão, anos 60
fotografia do Arquivo Municipal de Lisboa | fotográfico




Artur Pastor, Desembarque do peixe, Portimão, anos 60
fotografia do Arquivo Municipal de Lisboa | fotográfico




Artur Pastor, Desembarque do peixe, Portimão, anos 60
fotografia do Arquivo Municipal de Lisboa | fotográfico



"Lavadeiras do Rio Mira" (Odemira)
Ilustração Portugueza, Novembro de 1913

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Domingos Alvão - Lavadeiras




Cliché de Domingos Alvão, ["Água tranquila - Lavadeiras num rio de Portugal"]
 Illustração Portugueza, 22 de Junho de 1914



Cliché de Domingos Alvão, "Lavadeira no Rio Leça"
Illustração Portugueza, 14 de Dezembro de 1914


Daqui: Etnografia em Imagens

quinta-feira, 24 de agosto de 2017




Ponte sobre o Tejo, projecto de E. Bartissol e T. Seyrig, O Occidente, n.° 380, 1889
ilustração de  L. Freire [Imagem da Hemeroteca Digital]

[...]

O projecto dá á ponte a extensao de 2310 metros, completando-a com uma linha ferrea que partirá da estação do Rocio a ligar com a do Barreiro, n'um percurso de 15 kilometros e meio.

Do Rocio sahirá a linha em tunnel seguindo em curva para a esquerda, voltando assim de forma a passar quasi sob a praça do Principe Real, e indo desemhocar no valle formado pela rua de S. Bento, perto do palacio das Côrtes.

Atravessa então a rua de S. Bento em linha recta inclinando-se depois novamente para esquerda n'outra curva, e passa por detraz dos Cortes. N'esse ponto a linha será aberta em trincheira e em tunnel, e estabelecer-se-ha a estação da rua de S. Bento.

A calçada da Estrella é atravessada em subterraneo, e o seu transito não será interrompido nem pelos trabalhos nem pela exploração.

Este subterraneo prolongar-se-ha na extensão de 4oo metros, indo a trincheira, que segue, terminar acima da Rocha do Conde d'Obidos.

É facil, diz o sr. Bartissol na sua memoria publicada na "Gazeta ds Caminhos de Ferro", fazer chegar ahi uma estrada que, vindo da esquerda e a direita, communique_com a ponte, pondo d'este modo, em relação directa e facil com ella, o bairro de Buenos-Ayres e a parte baixa da cidade, inferior as Côrtes, como o Conde Barão, etc.

LER CONTINUAÇÃO DO ARTIGO:  AQUI

quarta-feira, 23 de agosto de 2017







Em notas ao vídeo:
A «Arquitectura do Rabelo» é o título de um estudo do prof. arquitecto Octávio Lixa Filgueiras, que serviu como roteiro para um filme documentário produzido em 1991 por José Monteiro e realizado por Vítor Bilhete. Este documentário correspondeu à última oportunidade de fixar imagens para o futuro, de uma tradição hoje perdida, a construção de um barco rabelo por um dos últimos mestres calafates do rio e alguns artífices que com eles trabalharam.

O processo decorreu em absoluto respeito pelo método nórdico de carpintaria naval, ou seja, a formação do casco antes da montagem das cavernas. Sem máquinas e sem moldes, as formas foram obtidas a partir de medidas básicas tradicionais, o gosto do artista e a prática de muitas gerações.

As filmagens decorreram entre Junho e Agosto de 1991, em vídeo e em película de 35mm. Infelizmente não houve capacidade financeira para a montagem da versão cinematográfica, que se mantém em negativo.

Adriano Nazareth - Barcos Rabelos







Barcos Rabelos do Douro (Quatro episódios-1960)


Barcos Rabelos do Douro


Desde o aparecimento do vinho do Porto até meados do século XX o seu transporte rio abaixo, até Vila Nova de Gaia onde se procede ao seu tratamento,  foi garantido por barcos tradicionais conhecidos por Rabelos.


Com a evolução natural das vias de comunicação e dos transportes terrestres este tipo de ligação entre a origem do vinho e o local onde é envelhecido, engarrafado e distribuído, passou a ser garantido por outros meios mais rápidos, fáceis e de maior capacidade.

Contudo, o registo feito em 1960, a preto-e-branco e com a duração de 33 minutos e 45 segundos, tem proporcionado às gerações vindouras a possibilidade de desfrutar da epopeia da descida do rio vivida pelas tripulações dos Rabelos de então, tendo o mesmo ficado a dever-se a Adriano Nazareth, o qual recorreu a uma equipa de luxo para a sua realização, ou seja:


O texto foi escrito pelos Jornalistas Vasco Hogan Teves e Carlos Rodrigues, a locução off do consagrado Gomes Ferreira, a câmara de captação foi operada por um lendário da RTP, o Artur Moura, a captação e registo de som por um trio de ataque único, ou seja, Jorge Teófilo, Jorge Soromenho e João Castanheira e a soberba sonorização da responsabilidade do grande Albano da Mata Diniz.

Texto retirado DAQUI


Adriano Nazareth - O Sargaceiro da Apúlia



Durante as filmagens de 'O Sargaceiro da Apúlia', de  Adriano Nazareth

Documentário 'O Sargaceiro da Apúlia' de Adriano Nazareth, 1959: AQUI




Adriano Nazareth

Biografia de Adriano Nazareth (1929-1998)

Texto de Carlos A. Henriques 

PARTE I: AQUI

PARTE II: AQUI

PARTE III: AQUI



terça-feira, 22 de agosto de 2017