domingo, 8 de maio de 2011
domingo, 1 de maio de 2011
Festa de Nossa Senhora dos Milagres, Cernache - Coimbra
O Pão Ázimo
À noite dispunham-se num local amplo, geralmente numa "loja", oito "massadeiras", encostadas umas às outras, a formar um rectângulo.
Nelas se deitava a farinha, amassada depois ("tomada" no dizer local) por dezasseis rapazes (dois para cada massadeira), virados de frente uns para os outros, escolhidos entre os mais robustos do lugar.
A tarefa era acompanha pelo "preparador", um homem a quem competia vigiar a amassadura, e que, de vez em quando, deitava nas massadeiras a pouquíssima água que a massa levava.
Durante todo o processo eram entoadas "alvoradas" e cânticos populares de exaltação à Virgem.
Depois de pronta a massa era retirada das massadeiras pelo preparador e estendida por ele numa enorme pá em sete camadas (simbolizando os sete dias da semana).
A massa contida na última gamela (a oitava) servia para os enfeites, mais concretamente, para os elementos decorativos do pão ázimo (de formato rectângular), trabalho igualmente a cargo do preparador: as quatro pinhas (assentes no vértice, simbolizando o incenso); as duas pombas (com bicos voltados para fora, colocadas diametralmente opostas, a meio, no sentido da largura do pão, significando o Espírito Santo); as duas palmeiras (representando a árvore do Paraíso), tendo de cada lado uma serpente bíblica, ondulando em direcção inversa, ao longo do comprimento do pão.
Chegados a este ponto da feitura do pão, os respectivos grupos saíam pelas ruas a entoar as alvoradas, para voltar ao mesmo lugar, a buscar o pão (coberto com caules de trigo verde, para que o forno o não queimasse), seguindo depois, cerca da meia-noite, em cortejo, até à "casa do forno" (utilizado apenas uma vez no ano, para este fim).
Na manhã do dia seguinte o pão era retirado do forno, pincelado com azeite e colocado num andor enfeitado com flores e verdura.
As alvoradas cantadas pelas ruas depois de amassado o pão:
Na manhã do dia seguinte o pão era retirado do forno, pincelado com azeite e colocado num andor enfeitado com flores e verdura.
As alvoradas cantadas pelas ruas depois de amassado o pão:
Está sentada na pedrinha
A minha Virgem do Milagres;
A minha Virgem do Milagres;
Oh! Que tão baixa cadeira
Para tão alta Rainha.
Tem uma meada d'ouro
Tem uma meada d'ouro
A minha Virgem dos Milagres,
Quem me dera ser a relva
P'ra ser o seu coradouro.
Quem me dera ser a relva
P'ra ser o seu coradouro.
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bolo santo |
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andor de Nossa Senhora dos Milagres |
Barros, Jorge e Soledade Martinho Costa (2002), Festas e Tradições Populares: Março e Abril. Lisboa: Círculo de Leitores.
sábado, 30 de abril de 2011
dar à língua...
"as mulheres cando se juntam
a falar da vida alheia
começam na lua nova
a falar da vida alheia
começam na lua nova
e acabam na lua cheia"
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Festa do Bodo - 25 de Abril
Salvaterra do Extremo e Monfortinho - Idanha-A-Nova
Tempres e Chamiços
Barros, Jorge e Soledade Martinho Costa (2002), Festas e Tradições Populares: Março e Abril. Lisboa: Círculo de Leitores.
Tempres e Chamiços
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Nossa Senhora da Consolação |
Barros, Jorge e Soledade Martinho Costa (2002), Festas e Tradições Populares: Março e Abril. Lisboa: Círculo de Leitores.
domingo, 24 de abril de 2011
sábado, 23 de abril de 2011
Os Farricocos
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Fotografia de Jorge Barros |
Quinta-Feira Santa a Procissão do Senhor Ecce Homo, popularmente designada por Procissão do Senhor da Cana Verde, a lembrar as palavras proferidas por Pôncio Pilatos aos Judeus: «Eis o homem», quando lhes mostrou Jesus Cristo coroado de espinhos, com uma cana verde nas mãos a servir-lhe de ceptro. Nesta procissão incorporam-se, obrigatoriamente, todos os irmãos da Irmandade da Misericórdia.
À frente, descalços e encapuçados, caminham os «farricocos», vestidos com túnicas negras até meio da perna (os «balandraus»), uma corda atada à cintura, outra a cingir-lhes a testa e a cabeça, sobre uma espécie de capuz com dois buracos para os olhos.
Chamados igualmente «os homens dos fogaréus», transportam um cabo de madeira, altíssimo, na ponta do qual balança uma bacia de cobre contendo pinhas a arder em chama viva. São acompanhados por outros «farricocos» com cestas cheias de pinhas destinadas a alimentar os fogaréus.
Em tempos recuados competia aos «farricocos» a tarefa incómoda de «lançar as pulhas», ou seja, de divulgar ou caluniar publicamente os mais íntimos segredos de cada família, a coberto da escuridão e do disfarce, atingindo, indistintamente, quem calhava. Outras vezes, após a procissão, espalhavam-se pelas ruas, noite dentro, causando medo a quem com eles se cruzava.
Havia também os «farricocos» que se limitavam a fazer soar as «matráculas», após o silenciamento dos sinos, na intenção de chamar os fiéis ao culto ou a lembrar-lhes a confissão e a penitência – tal como se faz ainda hoje em Braga e noutras localidades durante o dia de Quinta-Feira Santa.
Na sua origem pagã, estes homens tinham por missão anunciar às pessoas, pelas ruas, utilizando as «matráculas», a passagem dos condenados, relatando os crimes por eles cometidos. Posteriormente cristianizados, os «farricocos», associados depois ao relato das «pulhas», limitam-se, actualmente, a tocar as «matráculas», mantendo a tradição litúrgica, e a fazer parte dos cortejos processionais desta quadra.
Barros, Jorge e Soledade Martinho Costa (2002), Festas e Tradições Populares: Março e Abril. Lisboa: Círculo de Leitores.
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Santa Senhorinha
Basto (Cabeceiras de Basto)
Festa no Domingo seguinte.
Sobre as formas de culto prestado à santa não existem muitas informações. Sabe-se que na Idade Média o túmulo era visitado por peregrinos do Alto Minho, da Galiza a até de Castela. Hoje é procurado por pessoas de lugares mais próximos que ali vão satisfazer promessas contraídas. Uma prática ainda corrente é a de retirar do vão onde está o seu sepulcro um pouco de terra, que se guarda como relíquia. Em 1886, José Augusto Vieira escrevia que muitos devotos, depois de rezarem ajoelhados em frente ao túmulo, «[...] rojam-se sobre o pavimento para com uma pena, um ramúsculo, ou qualquer outro instrumento apropriado, esgravatarem por entre as fendas ou interstícios do túmulo o solo onde ele assenta, e pedirem assim a terra à santa para curar as maleitas, operação que é feita depois em casa, tomando a terra numa infusão de ervas escolhidas.» ([1886]: I, 540-542). Nas paredes vêem-se sempre pendurados vários ex-votos, sobretudo de cera, que testemunham os milagres da santa.
IN: João VASCONCELOS, Romarias: Um Inventario dos Santuários de Portugal, Olhapim, 1996
Outras referências:
MONTEIRO, António Xavier, Santa Senhoria e Basto, Cabeceiras de Basto, Comissão Fabriqueira de Cabeceira de Basto, 1982, 48p., il.
A vida de Santa Senhorinha (abadessa, 924-982, Vieira do Minho), desde o nascimento até à morte. A sua beatificação no século XII, baseada em curas milagrosas [ainda em vida], e a sua canonização no século XVI. Santa Senhorinha na liturgia desde o século XVI. A nova capela (século XVII) e o seu túmulo em Cabeceiras de Basto. O culto a Santa Senhorinha nos tempos modernos.
(Resumo In: Piedade Popular em Portugal, dir. Zília Osório de CASTRO e Paule LEROU, Edições Távola Redonda, 1998)
Artigo Aqui:
Pedro Vilas Boas TAVARES, "Senhorinha de Basto memórias literárias da vida e
milagres de uma santa medieval", Via Spiritus 10 (2003) pp. 7-37
Loas nas páginas 25 a 31
quinta-feira, 14 de abril de 2011
História Luso- Árabe - historiografia
David Lopes et Pedro Azevedo: deux contrastants arabe-islamologues dans l’historiographie portugaise, Judite A. Gonçalves de Freitas, Afrontamento, 2007
AQUI
Páscoa
Férias do mundo e de quem lá anda.
Concha de ouriço, mas desabitada,
Aberta no lençol da areia branda.
Não se lembrem de mim esta semana!
Matem o Cristo, e ele que ressuscite!
Eu, nesta angústia humana ou desumana,
Quero apenas que o sono me visite.
Miguel Torga
Miguel Torga
Arrábida, Páscoa de 1952
In: Diário IV
A Serra da Arrábida na poesia portuguesa, selecção, prefácio, actualização de textos e notas, António Mateus Vilhena e Daniel Pires, Setúbal, Centro de Estudos Bocageanos, 2002
quarta-feira, 13 de abril de 2011
terça-feira, 12 de abril de 2011
quarta-feira, 6 de abril de 2011
segunda-feira, 4 de abril de 2011
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