quarta-feira, 8 de dezembro de 2010


para a Lenita



TUTELARIS RE­GNI

Foi por provisão de 25 de Março do referido ano de 1646 que se mandou tomar por padroeira do reino Nossa Senhora da Conceição. Comemorando este facto cunharam-se umas medalhas de ouro de 22 quilates, com o peso de 12 oitavas, e outras semelhantes mas de prata, com o peso de uma onça, as quais foram depois admitidas por lei como moedas correntes, as de ouro por 12$000 réis e as de prata por 600 réis. Segundo diz Lopes Fernandes, na sua Memoria das medalhas, etc., consta do registo da Casa da Moeda de Lisboa, liv. 1, pag. 256, v. que António Routier foi mandado vir de França, trazendo um engenho para lavrar as ditas medalhas, as quais se tornaram excessivamente raras, e as que aquele autor numismata viu cunhadas foram as reproduzidas na mesma Casa da Moeda no tempo de D. Pedro II. Acham-se também estampadas na Historia Genealógica, tomo IV, tábua EE. A descrição é a seguinte: JOANNES IIII, D. G. PORTUGALIAE ET ALGARBIAE REX – Cruz da ordem de Cristo, e no centro as armas portuguesas. Reverso: TUTELARIS RE­GNI – Imagem de Nossa Senhora da Conceição sobre o globo e a meia lua, com a data de 1648, e; nos lados o sol, o espelho, o horto, a casa de ouro, a fonte selada e arca do santuário.

domingo, 5 de dezembro de 2010


É bem provável que a expressão "ir às sortes" não te diga nada. As "sortes" eram as inspecções militares obrigatórias. A rapaziada que vinha do campo para a cidade, aproveitava as caricas das bebidas para fazer este instrumento. Como curiosidade nos AÇORES as caricas são substituidas por "soalhas, pedaços de ferro" e em vez de chincalhos chamam-lhe "SISTRO". São parecidos com uma fisga, isto é, tomando feitio de um "V".

Execução

castanholas de cana

feto-de-folha-hera

Asplenium hemionitis (feto-de-folha-hera)

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Lenda da Fonte da Moura

    Numa herdade onde eu vivi com os meus pais, chamada “Cacharroeira” havia uma fonte onde diziam que noutros tempos habitava uma moura encantada.
     Certo dia, ao passar junto da fonte, um caçador viu sentada numa pedra uma linda mulher a pentear-se.
     Logo que esta deu pelo caçador desapareceu imediatamente em direcção à fonte, ouvindo ele só o rastejar de umas correntes de ferro.
     Espreitando para dentro da fonte apenas viu uma enorme serpente da qual conta a lenda ser a dita moura encantada.
     Como diziam que quem matasse a serpente desencantava a moura e casaria com a princesa...
     Alguns homens cavaram na fonte para a conseguirem matar, o que não sucedeu. E ali ficou um poço que ainda hoje é chamado o Poço da Moura.

domingo, 7 de novembro de 2010

Oh que janela tão alta


Oh que janela tão alta
feita de cal e areia
oh que menina tão linda
numa janela tão feia

Janela de pau de pinho
que a meu respeito te abriste
torna-te a cerrar janela
disfarça que me não viste

Além naquela janela
eu a fiz eu a risquei
a menina que lá mora
só por morte deixarei
 
A. Guimarães (Arranjos: Pedro Caldeira Cabral)
Letra e música: popular; Intérprete: Vitorino;

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Cante Alentejano




Ceifeiros de Cuba, na Taberna do Lucas, em Cuba, Alentejo.
ver também: http://cantoalentejano.com/fonoteca/index.php

terça-feira, 26 de outubro de 2010

A BELA E A COBRA

Era uma vez um rei que tinha três filhas, uma das quais era muito formosa e ao mesmo tempo dotada de boas qualidades. Chamava-se Bela. O rei tinha sido muito rico, mas, por causa de um naufrágio, ficou completamente pobre.

Um dia foi fazer uma viagem; antes porém perguntou às filhas o que queriam que ele lhes trouxesse.

– Eu, disse a mais velha, quero um vestido e um chapéu de seda.

– Eu, disse a do meio, quero um guarda-sol de cetim.

– E tu que queres? – perguntou ele à mais nova.

– Uma rosa tão linda como eu, respondeu ela.

– Pois sim, disse ele.

E partiu.

Passado algum tempo trouxe as prendas de suas filhas, disse à mais nova:

– Pega lá esta linda rosa. Bem cara me ficou ela!

Bela ficou muito preocupada e perguntou ao pai por que é que lhe tinha dito aquilo. Ele, a princípio, não lho queria dizer, mas ela tantas instâncias fez, que ele lhe respondeu que no jardim onde tinha colhido aquela rosa encontrou uma cobra, que lhe perguntou para quem ela era; que ele lhe respondeu que era para a sua filha mais nova e ela lhe disse que lha havia de levar, se não que era morto. Depois disse ela:

– Meu pai, não tenha pena, que eu vou.

Assim foi. logo que ela entrou naquele palácio, ficou admirada de ver tudo tão asseado, mas ia com muito medo. O pai esteve lá um pouco de tempo e depois foi-se embora. Bela, quando ficou só, foi a uma sala e viu a cobra. Ia-se a deitar quando começaram a ajudarem-na a despir. Estava ela na cama quando sentiu uma coisa fria; deu um grito e disse-lhe uma voz: – Não tenhas medo.

Em seguida foi ver o que era e apareceu-lhe uma cobra. Ela, a princípio, assustou-se, mas depois começou a afagá-la. Ao outro dia de manhã apareceu-lhe a mesa posta com o almoço. Ao jantar viu pôr a mesa, mas não viu ninguém; a noite foi-se deitar e encontrou a mesma cobra. Assim viveu durante muito tempo, até que um dia foi visitar o pai; mas quando ia a sair ouviu uma voz que lhe disse:

– Não te demores acima de três dias, senão morrerás.

Ia a continuar o seu caminho e já se esquecia do que a voz lhe tinha dito. Chegou a casa do pai. Iam a passar três dias quando se lembrou que tinha de tornar; despediu-se de toda a sua família e partiu a galope; chegou lá à noite, foi-se deitar, como tinha de costume, mas já não sentiu o tal bichinho. Cheia de tristeza, levantou-se pela manhã muito cedo, foi procurá-lo no jardim e qual não foi a sua admiração vendo-o no fundo dum poço! Ela começou a afagá-lo chorando; mas, quando chorava, caiu-lhe uma lágrima no peito da cobra; assim que a lágrima lhe caiu a cobra transformou-se num príncipe, que ao mesmo tempo lhe disse:

– Só tu, minha donzela, me podias salvar! Estou aqui há uns poucos de anos e, se tu não chorasses sobre o meu peito, ainda aqui estaria cem anos mais.

O príncipe gostou tanto dela que casou com ela e lá viveram durante muitos anos.


José Leite de Vasconcelos, Contos Populares e Lendas, 1963
in:http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/infantil/jleite.html

domingo, 24 de outubro de 2010


Passando por Fajão um almocreve que vendia sal, logo lho compraram e semearam como se semeassem centeio.

Passou-se muito tempo, e como o sal não nascesse, tomaram a resolução de esperar o homem que lhes tinha vendido o sal.
Chegando a aparecer, os homens perguntaram-lhe, indignados, que lhes tinha ele vendido, pois tinham semeado o sal e ele não nasceu.

Disse-lhes então o vendedor:

- Pois vocês deixaram-no comer os gafanhotos!
E foi o que lhe valeu, dar esta desculpa.

De facto, antigamente havia muitos gafanhotos, e de tempos a tempos vinham mesmo pragas de gafanhotos que roíam as hortas e tudo. De modo que os de Fajão resolveram juntar-se e fazer-lhes uma batida.

Armaram-se de espingardas e foram para os campos onde os gafanhotos andavam, para lhes darem caça.

A certa altura um gafanhoto saltou e foi poisar-se no peito do Pascoal.
O Pascoal viu que tinha um gafanhoto poisado no peito, e então não falou, para não espantar a caça, mas fez sinal a outro caçador, e apontou com o dedo para onde estava o gafanhoto.

Claro está que o Pascoal caiu também, como morto. Mas por sorte não morreu, porque o tiro era fraco.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

domingo, 15 de agosto de 2010

Assunção de Nossa Senhora - Dormição




São Bento da Porta Aberta





A 15 de Agosto decorre em Rio Caldo (Terras de Bouro, Minho) a grande romaria de São Bento da Porta Aberta.
«Porquê São Bento da Porta Aberta?», aqui fica uma das explicações.
Acontece que a porta do santuário de São Bento era fechada no final do dia. Porém, mal a noite se instalava, a porta parecia aberta. Por essa altura, muitos eram os crentes vindos do lado espanhol. Ora, chegados à localidade de Rio Caldo, não tinham onde pernoitar. Seria, pois, São Bento quem abria a porta, de modo a dar guarida aos peregrinos que vinham até ele.
Das muitas práticas que os devotos cumprem nesta romaria, o ritual maior consiste em beijar os pés da imagem do santo e do corvo que se encontra a seu lado (o corvo da tradição, que salvou São Bento de morrer envenenado ao roubar-lhe o pão que continha o veneno).
Também na romaria de São Bento o sal continua a representar um elemento gratulatório oferecido ao santo, segundo afirmam os devotos por ser «muito do agrado do santinho», sendo entregue na Casa do Sal, que se situa atrás do santuário.

Barros, Jorge e Soledade Martinho Costa (2002), Festas e Tradições Populares: Julho e Agosto. Lisboa: Círculo de Leitores.

terça-feira, 29 de junho de 2010

São Pedro - Montijo











Ainda em épocas passadas (1902), há referência à primeira queima de um barco no Páteo d'Água, ali colocado dias antes, ornamentado com flores e bandeiras.
À noite organizava-se um baile, cantava-se e dançava-se, enquanto era ateado fogo ao batel, continuando o bailarico ao redor da fogueira ...



Registe-se que as touradas foram introduzidas nos festejos da vila no século XVI, por provisão real do rei D. Manuel, «para diversão do povo».

Barros, Jorge e Soledade Martinho Costa (2002), Festas e Tradições Populares: Junho. Lisboa: Círculo de Leitores.

Trono a São Pedro

No Teixoso era uso os rapazes solteiros, na madrugada de 28 para 29 de Junho, depois de terem bailado ao redor das fogueiras perfumadas com rosmaninho, irem beber água a todas as fontes, enquanto pelos caminhos roubavam cravos, que ofereciam depois às namoradas ou moças da sua eleição.

Barros, Jorge e Soledade Martinho Costa (2002), Festas e Tradições Populares: Junho. Lisboa: Círculo de Leitores. 

São Pedro

Tu, que Diabo?, és velho.
Es o único dos trez que traz velhice
Às festas. Tuas barbas brancas
Têm comtudo um ar terno
A que o teu duro olhar não dá razão.
Parece que com essas barbas brancas
Por um phenomeno de imitação
Pretendes ter um ar de Padre Eterno.

Carcereiro do ceu, isso é o que és,
Basta ver o tamanho d'essas chaves —
As que Roma cruzou no seu brasão.
Segundo aquele passo do Evangelho
Do «Tu és Pedro» etcetera (tu sabes),
Que é, afinal, uma fraude,
Meu velho, uma interpolação.

Carcereiro do céu, que chaves essas!
Nem dão vontade de ser bom na terra,
Se, segundo evangelicas promessas
Vamos parar, no fim, a um ceu claustral.
Isso — fecharem-me — não quero eu,
Nem com Deus e o que é seu
Que o estar fechado faz-me mal
Até na beatitude do teu ceu,
Entre os santos do paraíso,
(A liberdade Deus dá a Deus —
Um Deus que não sei se é o teu)
O estar fechado, aqui ou ali, dizia eu
Faz-me terriveis cocegas no juizo.

Enfim, que direi eu de ti, amigo,
Que não seja uma coisa morta,
Anti-popular, gongorica,
Por fruste deselegante,
Como de quem, sem saber nada. exhausto.
Começo por duvidar bastante,
Desculpa-me chaveiro antigo,
De que tivesses existencia historica.

Mas isso, é claro, não importa
Se nos trazes
A alegria da singeleza
Ou a bondade que não sabe ter tristeza.
O peor é que nada d'isso fazes.
O teu semblante é duro e cru
E as barbas que roubaste ao Deus que tens
Só arrancam aos dandies teus loquazes
Ditos de dandies cinicos desdens.
Que diabo, és uma série de ninguens
O Santo são as chaves, e não tu.

Para uns és S. Pedro, o grão porteiro
Para outros as barbas já citadas,
Para uns o tal fatidico chaveiro
Que fecha à chave as almas sublimadas.
Para uns fundaste a Roma do Papado
(Andavas bebado ou enganado
Ou esqueceste
O teu Mestre quando o fizeste)
E para outros enfim, como é o povo
E segundo as ideias que elle faz,
És quem lhe não vem dar nada de novo —
Umas barbas com S. Pedro lá por traz.

É diffcil tratar-te em verso ou prosa,
Tudo em ti, salvo as barbas, é incerto.
Tudo teu, salvo as chaves, não tem ser.
E a alma mais humilde é clamorosa
De qualquer coisa que se possa ver,
Em sonho até, qual se estivesse perto.

Olha, eu confesso
Que nunca escreveria
Este vago poema, em que me apresso
Só para me ver livre do teu nada,
Se não fosse para dar o cunho
A este livro da trilogia
(Santo António, S. João, S. Pedro -
De popular, que bem que sôa!)

Mas por que diabo de intuição errada
É que vieste parar a Junho
E a Lisboa?

Isto aqui ainda tem
Um sorriso que lhe fica bem,
Que até, até
No teu dia,
(Ó estupor velho
Com um chavelho,)
Nas ruas

O povo anda com alegria
É fé,
Não em ti nem nas barbas tuas
Mas no que a alegria é.

Olha, acabei.
Que mais dizer-te, não sei.
Espera lá, olha.
Roma, fingindo que viceja,
Lentamente se desfolha.
Um gesto volvente e mudo
Teu ultimo gesto seja.
Se tens poder milagroso,
Se essas chaves abrem tudo,
Deixa esse ceu lastimoso.
Deixa de vez esse céu,
Desce até à humanidade
E abre-lhe, enfim no mundo gesto teu,
As portas do Inferno, e da Verdade.

Fernando Pessoa
"Foram escriptos, todos os três, no dia 9 de Junho de 1935"


(Almada Negreiros)
Pessoa, Fernando (1994), Os Santos Populares. Lisboa: Edições Salamandra. 

alcachofra


A alcachofra, símbolo da ressurreição da Natureza, é (ou era) a mais utilizada pelas raparigas em práticas de «sortes» divinatórias. Chamuscada nas fogueiras de São João à meia-noite e posta ao relento, se reflorir indica «que se é correspondida nos amores».

Jorge Barros e Soledade Martinho Costa (2002), Festas e Tradições Populares: Junho. Lisboa: Círculo de Leitores.

sábado, 26 de junho de 2010

Verão ...

alho-porro

São João

(Braga)
Barros, Jorge e Soledade Martinho Costa (2002), Festas e Tradições Populares: Junho. Lisboa: Círculo de Leitores.

24 de Junho - São João

... a pancadinha propiciatória que trará a boa sorte e fortuna.
... a noite em que se quebra ou se prolonga o encanto das moiras encantadas.
... a madrugada em que se colhem os figos lampos com orvalho bento.

Barros, Jorge e Soledade Martinho Costa (2002), Festas e Tradições Populares: Junho. Lisboa: Círculo de Leitores.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

brinquei eu, brincaste tu ...



cinco saquinhos, pedrinhas ou Marias

carrinho de rolamentos

 jogo do elástico

corrida de caricas

arco