quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

cinzas do cepo de natal...




que as mãos abrem...




Fernando Pessoa - Entre o sono e o sonho

 
Entre o sono e o sonho,
Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho
Corre um rio sem fim.

Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem.

Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.

E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre —
Esse rio sem fim.

Fernando Pessoa, Poesias

mataram-se saudades ...







domingo, 1 de janeiro de 2012