domingo, 24 de outubro de 2010


Passando por Fajão um almocreve que vendia sal, logo lho compraram e semearam como se semeassem centeio.

Passou-se muito tempo, e como o sal não nascesse, tomaram a resolução de esperar o homem que lhes tinha vendido o sal.
Chegando a aparecer, os homens perguntaram-lhe, indignados, que lhes tinha ele vendido, pois tinham semeado o sal e ele não nasceu.

Disse-lhes então o vendedor:

- Pois vocês deixaram-no comer os gafanhotos!
E foi o que lhe valeu, dar esta desculpa.

De facto, antigamente havia muitos gafanhotos, e de tempos a tempos vinham mesmo pragas de gafanhotos que roíam as hortas e tudo. De modo que os de Fajão resolveram juntar-se e fazer-lhes uma batida.

Armaram-se de espingardas e foram para os campos onde os gafanhotos andavam, para lhes darem caça.

A certa altura um gafanhoto saltou e foi poisar-se no peito do Pascoal.
O Pascoal viu que tinha um gafanhoto poisado no peito, e então não falou, para não espantar a caça, mas fez sinal a outro caçador, e apontou com o dedo para onde estava o gafanhoto.

Claro está que o Pascoal caiu também, como morto. Mas por sorte não morreu, porque o tiro era fraco.

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